Conheça a DMRI, a principal causa de baixa visão e cegueira irreversível no idoso.
A retina é composta por diversas camadas, sendo a camada dos fotorreceptores responsável por captar a luz e transmiti la em forma de impulso nervoso para o cérebro, que irá formar as imagens e reconhecê-las. Na mácula, localizada na parte central da retina, está a maior concentração de fotorreceptores , permitindo à visão central maior riqueza de detalhes e acuidade visual.
Na Degeneração Macular Relacionada a Idade ( DMRI) ocorre o crescimento anômalo dos vasos sanguíneos que nutrem a retina, estimulados por aumento dos fatores VEGF-A e PLGF. O aparecimento das drusas comprometem as estruturas da retina. Na DMRI úmida, os novos vasos têm sua permeabilidade alterada e assim permitem o extravasamento de líquido e componentes do sangue para dentro da retina, comprometendo a integridade das estruturas da retina e das células fotorreceptoras.
Em estágios mais avançados da doença, cicatrizes surgem no lugar do tecido retiniano e se não tratadas podem resultar em perda irreversível da visão na DMRI.
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) , inicialmente pode não causar sintoma perceptível . Após algum tempo, nota se embaçamento da visão e dificuldade para ver detalhes nítidos, linhas retas podem ficar distorcidas, onduladas ou com falhas. Em estágios mais avançados nota se uma mancha embaçada ou escura no centro da visão (escotomas centrais, defeito no campo visual central) . A resposta visual fica comprometida e o paciente apresenta dificuldade na realização de tarefas como leitura fluente , reconhecimento de faces , de expressões faciais, no preparo de alimentos, no uso de celular e outras atividades de vida diária (AVDs). Há também perda de alcance visual , dificuldade de deambulação , direção de veículos e alterações na percepção de cores e contrastes baixos ( textos impressos de jornais, documentos, extratos bancários entre outros).Vários fatores influenciam no grau de dificuldade que pode ser muito variável.
O idoso acometido destas limitações geralmente sofre repercussões pessoais como a perda da autonomia, ficando dependente de familiares, colegas etc… como consequência poderá se isolar para evitar constrangimentos e até desenvolver quadros de depressão! Poderão haver também repercussões sócio econômicas devido alto custo dos tratamentos, perda de posto de trabalho, gastos com reabilitação, entre outros.
Após a avaliação criteriosa, o médico oftalmologista irá detectar a extensão e a intensidade do envolvimento macular ( região nobre da visão acometida na DMRI). As ações de reabilitação serão traçadas de acordo com as necessidades individuais ( atividades laborais, atividades de vida diária, tocar instrumentos musicais, realizar trabalhos manuais, na convivência social e familiar , no lazer, etc..)
No processo de reabilitação, profissionais especializados em baixa visão das áreas de Fisioterapia, Ortóptica, Psicologia, Terapia Ocupacional, entre outros , realizarão um trabalho conjunto, para restabelecer a autonomia e melhorar a qualidade de vida do paciente. A associação do uso de tecnologias assistivas visam otimizar o uso da visão residual periférica. São elas:
- Recursos ópticos ( lupas ,, prismas , lentes de aumento ou filtrantes)
- Recursos não ópticos ( aumentar a fonte, aumentar o contraste, iluminação e ajustes posturais)
- Recursos eletrônicos e de informática ( smartphones, tablets, lupas eletrônicas, leitores de texto , aplicativos, etc)
Nas sessões iremos auxiliar o paciente e familiar a perceber onde há maior potencial visual e como utilizá-lo a fim de alcançar sucesso na realização das tarefas acima descritas.
O esforço visual NÃO deteriora os olhos!! Desde que bem adaptada, a tecnologia assistiva permite à pessoa com deficiência visual realizar atividades que havia abandonado por causa da visão insuficiente. Através de uma avaliação global, conheceremos melhor o paciente, suas expectativas , potencialidades e limitações. É imperativo, que o idoso participe das mais diversas atividades, estimulando sua visão e o raciocínio!
Por Patricia Mucedola – ortoptista formada pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, especialista em teste ortóptico, treinamento com auxílios ópticos. Foi colaboradora no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Associação de assistência a criança Deficiente –AACD e Visão Subnormal da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.