Todos os funcionários quando ingressam em uma nova empresa, apresentam altos níveis de ansiedade, expectativas e inseguranças, por desconhecer o novo território.
Para auxiliar na integração do novo colaborador com deficiência visual, os mais antigos na empresa devem conhecer um pouco sobre orientação e mobilidade e auxiliar o novo funcionário a se adaptar nas novas rotinas e funções.
Precisamos acolher este novo colaborador, mostrar a empresa, apresentar aos colegas de trabalho, contribuir para a segurança e eficiência dele e estar disposto a aprender conviver com a diversidade no ambiente corporativo.
Guia-vidente
1 - Posicionamento básico
Podemos pensar em recursos para locomoção da pessoa com deficiência visual. Uma das técnicas utilizadas é o guia vidente. Uma forma dependente de locomoção, porém possibilita a pessoa com deficiência visual o controle. Através do toque a pessoa com deficiência consegue perceber o movimento do corpo do guia vidente (subiu, desceu, virou, desviou) e, portanto, participar nas decisões do que ocorre durante seu deslocamento.
Quanto ao posicionamento: A pessoa com deficiência visual deve permanecer posicionada meio passo atrás do seu guia. E este (o guia), deve permanecer sempre atento aos obstáculos que podem surgir no trajeto, mas deve manter-se tranquilo, não precisa deixar o braço tensionado.
O contato inicial é feito pelo guia-vidente, tocando a pessoa com deficiência visual levemente (ou no braço, cotovelo, mão), para que ela possa sentir a posição do corpo do guia.
A pessoa com deficiência visual é quem define onde segurar, se no braço, no cotovelo ou no punho do guia. Tudo vai depender da estatura de ambos e da maneira mais confortável aos dois.
2 - Troca de lado
Diante de várias situações enfrentadas durante o deslocamento, muitas vezes faz-se necessária a troca de lado. Esta, também pode ocorrer por preferência da pessoa com deficiência.
Para que a mudança ocorra de modo correto é preciso que haja comunicação entre o guia vidente e a pessoa com deficiência visual.
Uma das mãos deve estar livre para segurar o braço do guia - lembrar de posicionar-se um passo atrás dele - e com a outra mão percorrer no sentido horizontal as costas do guia até encontrar o outro braço.
Assim que encontrar o outro braço a pessoa deve fazer a troca de lado e retomar a posição inicial, só que agora do lado oposto.
3 - Passagem estreita
Nem sempre as empresas, dispõem de espaços amplos, muitas vezes nos deparamos com passagens estreitas, onde não poderemos nos manter na posição básica.
Para que a passagem ocorra de forma adequada e segura o guia deve informar sobre o estreitamento (por exemplo, corredor, porta) verbalmente ou através do movimento do braço.
O guia deve colocar para trás o braço que está sendo segurado e manter o cotovelo dobrado. Enquanto que a pessoa com deficiência visual, estende seu braço e se posiciona atrás do guia, ou seja, assim que o guia muda a posição do braço a pessoa guiada já entende que tem que se posicionar em fila.
A pessoa guiada, poderá assumir a posição inicial, assim que o guia posicionar seu braço de volta.
4 - Subir e descer escadas
A escada deve ser utilizada com atenção e segurança. Lembrar que na presença de corrimão, quem deve utilizar é a pessoa com deficiência visual.
A posição indicada é a básica que já descrevemos. É preciso que a pessoa com deficiência visual perceba o movimento do corpo do guia, portanto este deve se aproximar do primeiro degrau e fazer uma breve pausa, tanto para subir, quanto para descer. Essa recomendação pode servir como pista, para indicar o início ou final da escada ou informação, sendo assim a pessoa com deficiência visual, consegue se posicionar corretamente e localizar o degrau.
Tanto na subida, quanto na descida da escada o guia sempre estará um degrau a frente, para que a pessoa guiada perceba e interprete os movimentos corporais do seu guia.
5 - Passagem por portas
Esta técnica possibilita que o guia e a pessoa com deficiência visual participem ativamente da ação. Com a participação de ambos a passagem ocorre de forma segura e eficiente.
Ao aproximar-se da porta, devem adotar a posição de passagem estreita. Um aviso verbal sobre a passagem, também é indicado.
O guia deve abrir a porta e a pessoa com deficiência visual levantar o seu braço livre (altura do ombro), tocar na porta com a palma da mão voltada para frente e localizar o trinco.
Os dois devem passar pela porta ainda em posição de passagem estreita. Após a passagem o guia deverá parar de modo breve, para permitir que pessoa com deficiência visual feche a porta. Logo após, podem retomar a posição inicial.
6 - Sentar-se
Permitir e auxiliar a pessoa com deficiência visual em relação a localização de cadeira para sentar-se adequadamente e com independência.
O guia deverá conduzir a pessoa até a proximidade de um assento e relatar a posição e as características principais.
O contato inicial com o assento com o braço ou encosto do assento pode ser feito com a perna ou com a mão do guia que direciona a mão da pessoa. Logo após o contato ser estabelecido a pessoa, já pode soltar o braço do seu guia.
Antes de sentar-se o assento dever ser explorado com as mãos, afim de verificar informações referentes a posição, condições adequadas de uso, presença de objetos.
Quando a pessoa com deficiência visual for sentar-se à mesa, as regras anteriores serão mantidas, mas é preciso ficar atento quanto ao posicionamento adequado. É preciso manter contato com a borda, limitações e alinhamento da mesa, enquanto puxa a cadeira para sentar-se.
Sentar-se em auditório ou assentos perfilados
Para permitir o acesso adequado aos locais com assento perfilado o guia deve informar a pessoa com deficiência visual sobre a disposição do assento. O guia deve iniciar a entrada e a pessoa com deficiência o acompanha lateralmente (andam de lado).
A pessoa deve utilizar a mão livre para rastrear os encostos a sua frente.
Ao sair deve-se utilizar o mesmo procedimento da entrada, ou seja, o guia manter-se sempre a frente.
Autoproteção
Esta técnica é feita com o auxilio do próprio corpo, utilizando os membros superiores e inferiores. O objetivo principal é a proteção em ambientes desconhecidos ou que ofereçam algum perigo, bem como facilitar a localização dos objetos.
Proteção superior
Protege a pessoa com deficiência visual de obstáculos e objetos na altura do rosto e do tórax.
A posição dos braços deve ser para frente (nível do ombro) e paralelo ao chão.
A palma da mão deve ser voltada para o seu próprio rosto, com o cotovelo flexionado (dobrado).
É importante manter a mão afastada do rosto, a fim de antecipar a presença de objetos. Portanto o antebraço protege a face e o tórax, enquanto a mão protege o ombro contralateral.
Proteção Inferior
Protege a pessoa com deficiência visual de objetos na altura da cintura e órgãos genitais (região frontal e inferior do tronco). Um dos braços deve permanecer na frente do seu corpo com a mão na linha média.
Assim como na proteção superior, para antecipar a presença de objetos a mão deve ficar afastada do corpo, com a palma da mão voltada para o seu corpo.
Rastreando com a mão
Muitas vezes a pessoa com deficiência visual, necessita manter contato constante com elementos do meio para se orientar de forma segura e eficiente.
Como procedimento a ser adotado ela primeiro posiciona-se paralelamente e próxima ao objeto a ser rastreado (linha-guia). A linha-guia, pode ser uma escada, corrimão, parede, ou seja, ela é um elemento do meio ambiente que indica uma direção a ser seguida.
Para rastrear deve ser utilizada a mão (preferencialmente manter contato com a linha-guia somente o dedo mínimo e anular).
Facilitando a Familiarização na Empresa
É preciso permitir que a pessoa com deficiência visual se familiarize com todos os ambientes da empresa, como locais de marcação de ponto, banheiros, refeitório, salas de reunião, entre outros. Essa exploração deve ser segura e eficiente.
O colaborador que for trabalhar diretamente com a pessoa ou o profissional responsável pela integração, deve facilitar este processo.
Os métodos de familiarização podem ser utilizados com acompanhamento do guia-vidente, para organizar e confirmar as informações obtidas, mas também pode ser feita de forma independente, somente com a bengala, caso o funcionário faça uso.
Em primeiro lugar a pessoa com deficiência visual, deve estabelecer um ponto de partida, dê preferência a porta de entrada do ambiente a ser explorado. Precisamos permitir que a pessoa rastreie o ambiente ou objeto, quantas vezes forem necessárias e isso vai depender da situação e das necessidades de cada indivíduo.
Conhecimento
Bengala longa
A técnica da bengala longa, ainda é considerada o meio de locomoção mais eficiente. A bengala além de orientar e oferecer informações do ambiente torna-se, também um símbolo de identificação.
A independência motora gerada pelo uso da bengala, provoca aumento da autoestima, da autoconfiança, da integração social e laboral.
É importante saber que nem todas as pessoas com deficiência visual, necessitarão fazer uso da bengala. Tudo depende das individualidades e especificidades de cada indivíduo.
Cão-guia
O cão-guia facilita a mobilidade e a inclusão social das pessoas com deficiência visual. Ele á adestrado para guiar e oferecer assistência em tarefas do cotidiano.
Como eles tem uma enorme responsabilidade, temos que resistir e não brincar, enquanto estiverem em serviço. Os elogios e mimos, devem somente ser feitos pelo responsável. Mas ao término do trabalho o cão é liberado para fazer todas as fofuras dignas de um cão!
Referência
João Álvaro de Moraes Felippe. Caminhando Juntos: Manual das Orientações Básicas de Orientação e Mobilidade. Governo do Estado de São Paulo. Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. São Paulo, 2009.
Autora: Telma de A. Souza é fisioterapeuta formada pela Universidade de Santo Amaro/UNISA, com especialização em em Terapia em Baixa Visão pela Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP). Possui Doutoranda em Ciências Visuais pela Universidade Federal de São Paulo –EPM/ UNIFESP.